Bancários paralisam por reajuste salarial de 12,5%

Categoria também pleiteia melhores condições de trabalho e participação nos lucros.

Funcionários de um banco particular paralisaram, ontem (22), em alusão ao Dia Internacional de Luta na América Latina. Em Teresina, a agência escolhida para a ação foi a da Avenida Barão de Gurgueia, zona Sul da capital.

Segundo Paulo Roberto Toussaint, diretor do Sindicato dos Bancários do Estado do Piauí, as bases sindicais da categoria escolheram uma agência de cada estado para paralisar suas atividades por um dia. O objetivo da manifestação é reivindicar por melhores condições de trabalho, valorização dos trabalhadores, demissões, assédio moral e pelos valores do lucro arrecadado pelos bancos.

De acordo com ele, no primeiro semestre de 2014, o lucro líquido global do banco foi de 9,46 bilhões de dólares e, no Brasil, foi de 55 milhões de dólares. “Nós achamos que esse valor é bem maior do que eles divulgaram. Se comparado com esse valor divulgado, só corresponde a 10% do que foi ano passado e isso não é a realidade que a gente vê”, disse Toussaint, acrescentando que esse percentual não é aceitável, vez que as taxas de juros e tarifas cobradas são cada vez mais elevadas.

Os sindicalistas também estão reivindicando por mais respeito aos bancários. Ainda segundo o diretor da categoria, muitas agências estão sendo fechadas e, com isso, acarretando em demissões. Em 2013, 616 pessoas foram demitidas. “Eles alegam que fecha porque não está dando lucro, mas nós não concebemos dizer que uma agência bancária não dá lucro”, pontua.

Paulo Roberto conta que a categoria está aguardando a próxima rodada de negociação com a Fenaban (Federação Brasileira de Bancos). Estão previstas quadro reuniões entre banqueiros e bancários e, até o momento, foram realizadas duas. Nas pautas, estão sendo reivindicado aumento salarial de 12,5%, mais contratações, ampliação do horário de atendimento e jornada de trabalho de 6 horas/diárias.

“Nós vemos que tem um déficit muito grande de funcionários nas agências. A carga de trabalho é muito grande e o que vemos é que os funcionários estão estressados com a cobrança das metas e pela quantidade de trabalho que tem é muito grande”, explica Paulo Roberto.

O diretor do Sindicato dos Bancários afirma que alguns funcionários chegam a levar trabalho para suas casas e, no horário de lazer, fazem ligações para clientes, na tentativa de vender mais produtos e bater a meta estipulada pelo banco. “Quem não bate metas não é promovido”, finaliza Paulo Roberto.

Fonte: Isabela Lopes - Reportagem Jornal O Dia