Deputado alerta que aumento de imposto ameaça empregos

Pelo menos 250 empregos diretos e mais de mil empregos indiretos estão ameaçados em Teresina por conta do aumento do imposto estadual sobre a importação da carne de estados como Maranhão e Pará. A informação foi repassada ontem ao deputado João Mádison Nogueira (PMDB) por representantes dos pequenos frigoríficos e abatedouros da capital, responsáveis por fornecer quase 50% da carne consumida na cidade. 

Segundo José dos Santos Souza, do frigorífico Santa Rita, os pequenos frigoríficos que pagavam cerca de R$ 450,00 na pauta da carga com 25 cabeças de gado passarão a pagar R$ 2.250,00, um aumento de cerca de 400%. Antes, parte do imposto era paga nos estados de origem do gado, o restante pago no Piauí. A medida já foi informada aos pequenos empresários pela Secretaria Estadual da Fazenda. 

"Com esse aumento fica praticamente impossível manter o fornecimento da carne para os pequenos porque não temos como concorrer com os grandes frigoríficos, que pagam um imposto menor, sem falar que investimos muito em nossos empreendimentos para atender a todas as exigências sanitárias", afirma José dos Santos. Só o frigorífico dele emprega diretamente quase 200 pessoas. Segundo o empresário, com o reajuste do imposto e os demais custos o primeiro impacto será a queda na vendas, o que fatalmente implicará em demissões.

"Teremos de repassar os custos para o preço ao consumidor, e desse jeito não temos como competir com grandes empresários do setor", acrescenta. O deputado João Mádison disse que vai propor alternativas ao Estado. "Acredito que ninguém está se negando a pagar o imposto, mas se tem que ser corrigido tem que ser no índice da inflação, porque esse aumento vai é gerar quebradeira geral", afirmou.

COMBATE À FRAUDE - O superintendente estadual da Receita, Luiz Antonio Soares, informou ontem que não há aumento de imposto sobre as operações dos frigoríficos. Segundo ele, a Secretaria está apenas adequando a taxa cobrada sobre a venda de gado no Piauí à praticada no Maranhão e Pará. "Lá, são cobrados em torno de R$ 150,00 por cabeça; aqui, eram cobrados R$ 30,00 há oito anos, e agora aumentamos para R$ 114,00 por cabeça", explicou. 

Segundo ele, o valor baixo fazia como que muitos frigoríficos trouxessem bois do Pará e Maranhão para vender como se fossem do Piauí, gerando perdas para o Estado. "Essa medida é também uma forma de coibir esse tipo de fraude", diz, acrescentando que quando a fraude é descoberta, o Estado cobra o valor do imposto sobre o preço de mercado e mais a multa equivalente.

Fonte: Redação Diário do Povo