O desafio de criar um centro de pesquisa

A história da pesquisa agropecuária no Piauí passa obrigatoriamente pela vida do médico-veterinário Raimundo Nonato Leite Caminha, hoje com 72 anos. Em 1975, ele recebeu a missão para criar a Unidade de Execução de Pesquisa de Âmbito Estadual de Teresina – UEPAE - , embrião da Embrapa no Estado. "Foi o maior desafio profissional de toda a minha vida", lembra o hoje consultor de projetos agropecuários.

Na tarde de sol forte da segunda-feira 4, de maio último, ele largou o computador, onde construía mais um projeto, e nos recebeu em sua casa no condomínio Golden Park, no bairro Socopo, na zona leste de Teresina. Alegre e procurando na memória os principais fatos que marcaram a criação do primeiro centro de pesquisas científicas e tecnológicas no Meio-Norte do Brasil, Raimundo Caminha contou a história.

Montar a equipe de pesquisadores, segundo ele, foi realmente um exercício de paciência e otimismo. "Como no Piauí existiam poucos agrônomos e veterinários no mercado, fomos buscar os futuros pesquisadores na Secretaria Estadual de Agricultura, no Emater, no DNOCS e no Estado do Ceará. Depois de formar o quadro de profissionais, o desafio seguinte foi começar os trabalhos em instalações antigas e obsoletas".

O homem que deu vida à Embrapa na região há 40 anos, vê a instituição como "uma das grandes conquistas" dos brasileiros. Ele é testemunha viva do esforço dos pesquisadores para tornar o Bioma Cerrado viável à produção de grãos. "Quando a Embrapa surgiu ninguém acreditava que os cerrados no Brasil fossem se desenvolver. Hoje, tanto no Meio-Norte como no Centro-Oeste, a produção de grãos, principalmente de soja, transformou o País em um grande exportador", destaca.

Raimundo Caminha, que nasceu no município de Floriano, a 240 quilômetros a sudoeste de Teresina, tem um perfil profissional pouco comum no Piauí para a época. Graduado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, em 1967, e com mestrado em gestão de centro de pesquisa agropecuária, pelo Instituto Tecnológico de Monterrey, no México, ele cresceu rápido.

A caminhada começou pela Secretaria Estadual de Agricultura. Ele migrou depois para a Embrapa, em 1975, e, num salto espetacular, foi contratado como gestor de projetos agropecuários do Banco Mundial, onde trabalhou no escritório do Recife, até 2004, quando se aposentou. De lá para cá, ele engorda a aposentadoria com consultorias. "Eu não paro. Continuo trabalhando normalmente", disse.

Fernando Sinimbu (654 MTb/PI) - Meio-Norte