Seguidores do Rei do Baião caem no forró na Procissão das Sanfonas

Ao som de muito forró pé de serra, cerca de 50 sanfoneiros, zabumbeiros e tocadores de triângulo animaram uma multidão no Centro de Teresina ontem, durante a 8ª edição da Procissão das Sanfonas. O evento é organizado pela Colônia Gonzaguiana no Piauí que, este ano, fez homenagem aos 70 anos do baião. 

Baião é um gênero de música e dança popular da região Nordeste do Brasil, derivado de um tipo de lundu, denominado "baiano", de cujo nome é corruptela. O baião utiliza os seguintes instrumentos musicais: viola caipira, triângulo, flauta doce e sanfona Foi na segunda metade da década de 1940 que o baião tornou-se popular, através dos músicos e radialista Luiz Gonzaga (conhecido como o "rei do baião"), e Humberto Teixeira ("o doutor do baião"). 

Além do baião, os instrumentistas homenagearam o médico pediatra e incentivador cultural Antônio Noronha - que faleceu na última sexta-feira (22) - e aos irmãos idealizadores do coletivo Salve Rainha, Francisco das Chagas Araújo Júnior e Bruno Queiroz, mortos em consequência de um acidente automobilístico ocorrido há um mês na avenida Miguel Rosa, zona Sul de Teresina. 

A Procissão das Sanfonas é realizada geralmente no mês de agosto, momento que marca a morte de Luiz Gonzaga ocorrida em 2 de agosto de 1989, mas este ano foi antecipada. A concentração aconteceu na Praça Saraiva, onde foi realizada a tradicional benção das sanfonas na Catedral de Nossa Senhora das Dores e seguiu pelas ruas do Centro em direção ao Museu do Piauí, na Praça da Bandeira. 

A benção das sanfonas foi feita pele padre Antonio Cruz, pároco da igreja Nossa Senhora de Lourdes, na Vermelha, zona Sul da capital. Que fez questão de presidir a celebração por possuir uma ligação com os vaqueiros. "Sou neto de um vaqueiro e cresci vendo meu pai tocar sanfona, especialmente as canções de Luiz Gonzaga. Participar dessa celebração é uma forma de homenagear meus familiares. Sinto-me emocionado e feliz por fazer parte desse momento", comentou. 

De acordo com Wagner Ribeiro, um dos organizadores da Procissão da Sanfona e um entusiasta da comunidade gonzaguiana, este ano, a festa foi mais especial porque contou com outras vertentes da cultura piauiense, como apresentações de capoeira e reisado. 

"Além da sanfona, juntamos a nossa festa a viola caipira, guitarra, violino, pífano, além de apresentações de reisado, bumba meu boi e capoeira durante o percurso. A procissão é uma oportunidade de estarmos celebrando a nossa identidade. A gente carece desse momento e esse evento já está totalmente incluso no calendário cultural de Teresina. Esse é um momento não é só de alegria, mas de refletir sobre o rumo que a nossa cultura tá tomando. E Luiz Gonzaga foi o grande iniciador desse pensamento", comentou. 

Membro fundador da Colônia, Luiz Gonzaga, mais conhecido como Gozanga Lú, contou que a cada ano que passa o grupo vai atraindo mais integrantes e conquistando o gosto do público. "É magnífico o trabalho porque é uma forma de estar resgatando a memória e o trabalho maestril do grande Lua", afirmou.

Fonte: Diário do Povo do Piauí