Feira de produtos orgânicos é atrativo no centro de Teresina

Caju, quiabo, macaxeira crua e cozida, tamarindo, puba fresca, manga, seriguela, abóbora e outros muitos alimentos regionais podem ser adquiridos a baixo custo na Feira de Alimentos Orgânicos da Praça Rio Branco. A feira acontece sempre na primeira e na última sexta-feira do mês e faz parte do projeto da Prefeitura de Teresina para a produção de alimentos agroecológicos. O projeto é uma parceria entre a Embrapa, Sebrae, Ministério da Agricultura, Universidade Federal do Piauí (Ufpi), Superintendência de Desenvolvimento Rural (SDR) e a Secretaria Municipal do Trabalho, Cidadania e Assistência Social (SEMTCAS).

De acordo com a engenheira agrônoma da Prefeitura de Teresina, Carlota Joaquina de Sousa Rosal, a ideia da feira surgiu da necessidade de trabalhar, junto aos pequenos produtores da capital, a segurança alimentar dos agricultores e dos consumidores, conscientizando as comunidades sobre a produção de alimentos sem produtos químicos.

“A prefeitura de Teresina, em especial a Superintendência de Desenvolvimento Rural, sempre trabalhou com essa filosofia de cultivar uma produção agroecológica. No início achamos que seria difícil fazer esse controle e o trabalho de manejo em todas as unidades de produção, para que de fato essa produção fosse um dia registrada como produto orgânico. Então começamos a conversar com alguns parceiros, que também estavam preocupados com essa situação da gente não conseguir ter em Teresina produtos orgânicos, e eles abraçaram a ideia. Porque temos apenas uma loja na cidade que comercializa produtos orgânicos e traz de outros estados como o Ceará e São Paulo. Até bem pouco tempo os consumidores reclamavam que as hortas de Teresina só produziam coentro, cebolinha e alface, hoje na feira da Praça Rio Branco oferecemos uma grande diversidade de produto que as comunidades locais produzem. Para nós já é um grande avanço”.

Entre campos e hortas, Teresina conta hoje com 70 unidades de produção, onde cinco comunidades já atingiram o nível desejado e aguardam a certificação de produção orgânica expedida pelo Ministério da Agricultura.

“Começamos com um grupo de produção orgânica, mas agora a Prefeitura já possui a Comissão Municipal de Produção Orgânica e Agroecológica. Começamos a trabalhar com dez comunidades, dentre essas, apenas sete realmente abraçaram o projeto. Trabalhar produção agroecológica é uma questão de mudança não só de produzir sem veneno, mas tem toda uma mudança de atitude, de comportamento e de filosofia de vida. Hoje cinco comunidades já estão oferecendo produtos bem diversificados e até o início do próximo ano já estarão certificadas como produtores de alimentos orgânicos”, ressaltou a engenheira.

Comunidades como Serra do Gavião, Ave Verde, Alegria, Projeto Casulo e a Horta Comunitária do Soim oferecem uma diversidade de produtos típicos da região. O fato de serem produzidos sem o uso de agrotóxicos e comercializados a baixo custo tem sido um atrativo à parte em dias de feira.

Dona Terezinha Silva, uma das produtoras que possui barraca na feira, conta que desde que a ideia surgiu, foi tomada por um entusiasmo de que o projeto daria certo.

“Quem não quer comer um alimento fresco e saudável, não é mesmo? A gente faz de tudo para colocar um precinho bom, que dá pra todo mundo comprar, então os clientes fazem a festa. Eu tive a ideia de vender não apenas o produto cru, então aqui você pode comprar a macaxeira crua, mas também tenho ela já cozidinha, no ponto de abrir a embalagem e comer”.

Na última edição da feira, a professora Luiza Marly esteve com um grupo de alunos. Segundo ela, os alunos do curso de Nutrição aproveitaram a feira para realizar uma avaliação das condições comercial e de controle higiênico sanitário dos produtos orgânicos.

“Eu trouxe a turma para uma atividade da faculdade e estou voltando com várias sacolas com produtos. A qualidade e apresentação dos alimentos está maravilhosa, não tem como resistir”, concluiu.

Fonte: Débora Santos - Redação Jornal Meio Norte