Parabéns minha Teresina pelos seus 168 anos

Neste domingo, Teresina completa 168 anos. Fundada em 16 de agosto de 1852. Conhecida como Cidade Verde, denominação dada pelo escritor maranhense Coelho Neto, devido a suas ruas e praças arborizadas. O nome da cidade remete a Imperatriz Teresa Cristina Maria de Bourbon, que teria intermediado com o imperador Dom Pedro II a ideia de mudança da capital, e em sua homenagem deu-se o nome da cidade, que é a contração (mistura) das palavras Teresa e Cristina.

A cidade é banhada por dois grandes rios: o Parnaíba e o rio Poti, sendo o primeiro maior rio do estado do Piauí e o maior rio puramente nordestino, e onde está situada a barragem de Boa Esperança, de grande potencial hídrico para agricultura, pecuária, abastecimento humano além de atividades como a piscicultura e o turismo.

Seguem alguns depoimentos e lembranças de teresinenses que prestam homenagens a nossa Teresina:

- "GRANDES TEMPOS - Lembro de Teresina, da Boca de Pau, atual 6º Distrito. Todas as vezes que alguem era convidado a passar algumas horas nas suas dependencias, nos íamos até o local para recepciona-los. Isso era uma grande comemoração, e logicamente uma lição para que não fizéssemos coisas erradas. 
A outra lembrança era de quando tinha jogos no Estádio Municipal Lindolfo Monteiro, ficávamos confortavelmente trepados numa arvore que tinha na casa do seu Lago, pai do meu amigo Dr. Miguel Angelo da Costa Lago, nos fundos do Estádio, para assistir os jogos. - Humberto Ferreira, nasceu em 1951 no Bairro Piçarra, é jornalista, músico e editor deste site".

- "TERESINA QUE ME ENCANTAVA - Tenho várias lembranças de Teresina encravadas aqui dentro de mim. Uma para cada década que vivi e estou vivendo. Todavia, uma que eu mais recordo é a Teresina de quando eu aqui cheguei, do final dos anos cinquenta ao início dos anos sessenta, ou mesmo toda ela por inteiro. Ir até à Praça Pedro II, para mim era uma delícia, pois além de passar pelo Rex e pelo Theatro e ver aqueles cartazes anunciando os filmes, eu dava uma esticadinha até a Teodoro Pacheco. Ali havia aquele cheiro de pão quentinho que advinha das Padarias Primor e Aurélia. Ou mesmo o cheiro de frango assado que saia daquele restaurante( esqueci o nome, essa velhice é fogo), que ficava quase na esquina no cruzamento com a 13 de maio. Tinha também o Restaurante Acadêmico que pertencia ao Sr. Pedro Quirino. Seguindo pela Barroso, no cruzamento com a Coelho Rodrigues, ficava a loja A Vencedora( do senhor Alcebíades). Ali era um pecado pra nós, crianças, pois era uma loja de brinquedos, predominando aqueles da marca Estrela que eram os melhores. Ali próximo, ficava a Sapataria Iracema( do senhor Dióscoro), a exibir nas vitrines aqueles sapatos Vulcabrás que estavam na moda. 
Na segunda metade dos anos sessenta, o que mexia comigo era passar em frente à loja Útil-Lar(do Aerton Fernandes) e desejar aquelas belas guitarras Gianinni modelo Super Sonic e Apolo, ou mesmo uma Felpa, Aquilo pra mim era um sonho. Seguindo a Barroso, esquina com a Lizandro Nogueira, pairava outro desejo: o de possuir todos aqueles discos da Loja Madariaga(que era do Madariaga). Era outro suplício pra mim.
Outro grande aventura era ir ao Lindolfo Monteiro. Eu tinha entre doze a treze anos quando comecei a frequentar aquele estádio. E pasmem! Eu ia á noite, ver jogos no horário de 21hs e retornava às 23hs, sózinho. Não tinha perigo nenhum, era uma tranquilidade. O que poderia acontecer era alguém perguntar se você tinha fósforo para acender um cigarro. Ou mesmo eu me assustar toda vez que passava em frente a uma loja que tinha uma janelinha e dentro ficava a cabeça de um manequim. Aquilo toda vez me assustava. E essa era a Teresina em que eu vivia naqueles anos de dupla face: de um lado os anos dourados e na outra face os anos de chumbo. - Geraldo Brito, músico e produtor musical".

- "TRAQUINAGEM NA ESTAÇÃO FÉRREA - Em mais um Aniversário da nossa Teresina eu lembro de um fato que na realidade foi uma verdadeira “traquinagem” de menino, em que tive a parceria do mano Carlinhos. Nos idos de 1962/63, quando ocorria uma falta de Professor na nossa Unid. Escolar Domingos Jorge Velho (Piçarra), em algumas oportunidades fomos até à Estação Férrea andar de trole, que era um veículo simples de manutenção com 04 rodas e sem motor. Naquela época a Estação não tinha muros e era fácil ter acesso aos veículos para brincar. Na nossa ingenuidade nem tínhamos noção de quão perigosa era nossa brincadeira. Ainda bem que nossa Mãe nunca soube dessa nossa traquinagem, senão...Robert Ferreira, é administrador, músico e editor do Blog do Robert Ferreira".

HOMENAGEM A TERESINA
"E cada vez mais bonita
Já nasceu assim tão bela 
De natureza bendita.
É a minha Teresina
Linda de norte a sul
Cidade de imortais
Tem até um rio abençoado.
Eu te amo minha terra
Querida de coração
Parabéns para você
Cidade verde do meu torrão.
Francisco Filho, Administrador e Professor Universitário".

- "TERESINA - Ah, minha cidade! Através do verde dos teus olhos de menina, eu vejo tantas coisas, que me faz sentir imensa saudade de outrora. Da Maria Tijubina, do Carnaval da Nicinha, do Clube dos Diários, do Mói de vara, da Paissandu, da circulação na Pedro II domingo à noite, do Seu Gosto na Berlinda, do Sam Brasa, do mingau quente vendido nas portas das casas, das músicas no alto falante do marquês.
Passar no Exame de Admissão no tradicional Liceu Piauense era como ser aprovado num vestibular hoje em dia. Com o Ari Quintela, Jairo Bezerra, Dalton Gonçalves e outros debaixo do braço, tínhamos o privilégio de ser aluno de professores catedráticos como: Socorro Rocha, Lisandro Tito, Nelson Sobreira, Edgar Tito, Maria Figueredo, Clotildes, Madeira, Cristina Leite, Gabriel Batista, Didacio, ...
Sair às cinco da matina para fazer educação física com a dupla Cidinho e Al Lebre, sem surrupiar os pães e leite deixados na varanda das casas pelos padeiros. A educação familiar, religiosa e cívica era diferente.
Jogar bola nas ruas de calçamentos mal feitos, arrancando a cabeça do dedo, curado com mercúrio cromo, e tomando banho de chuva nas bicas das residências, aliás, sem contrair resfriado.
Sem a febre dos celulares, entabulava-se ricos diálogos e estreitavam-se amizades. Estes grupos de amigos deleitavam-se, nos finais de semana, nas tertúlias residenciais, no embalo do som das radiolas que entoavam músicas do LP 14 MAIS, Renato e Seus Blue Caps, Os Vips, Golden Boys, Trio Esperança, Vanderley Cardoso, José Roberto, Paulo Sergio, Os Fevers e outros astros da Jovem Guarda. Destes encontros surgiram muitos namoros e casamentos, inclusive o meu. A bebida consumida era a"ponche" (Qsuco+pedacinhos de maçã+álcool).
Do quintal mais próximo aproveitavamos as frutas da época: sapoti, ata, manga, caju, oiti, etc.Lombrigas eram combatidas com azeite-de-mamona; na merenda escolar era o famoso leite "Pau-de-Índio"; andar de rural, aero-wyllis e Dkv só com os amigos filhos de pais abastados; tomar crush era diletantismo; ter uma bicicleta Gulliver era pra poucos. 
Ah, minha ex-cidade verde, quanto orgulho em cantar perfilado o Hino Nacional, na frente da escola, com a bandeira brasileira hasteada e desfilar no 7 de Setembro na avenida Frei Serafim. 
Quantos pinos nas namoradas as águas e coroas do Poty e Parnaíba foram testemunhas.
Só de pensar eu fico tonto e zonzo de encantamento, minha Teresina que não volta jamais.
Parabéns por mais um aniversário, doce terra onde eu nasci!"
Ednaldo Oliveira, é Músico e Professor Universitário.

Fonte: Humberto Ferreira - Da Redação do site Conheça Teresina.